
O telefone da casa não é desses que tocam a toda hora. São toques pontuais, necessários. Nesses poucos dias que tenho estado em casa percebi o quanto o telefone toca em horário comercial. E não são ligações de pessoas conhecidas. Do outro lado da linha está uma pessoinha de simpatia ímpar pronta pra ler o seu script com seu gerundismo impecável.
Posso estar bem desatualizada, mas fiquei surpresa com as novas maravilhas do telemkt. Vamos a elas:
. Ao atender o telefone não se escuta mais um Alô, mas sim uma música. Só depois de alguns segundos a pessoinha surge dizendo Alô como se você tivesse ligado pra ela.
. Você nunca tem argumentos suficientes pra dizer Não, obrigada, não tenho interesse. Sempre tem o Mas e se isso, mas e se aquilo, mas se acolá.
. Me ofereceram uma assinatura de um jornal a um preço imperdível infinitamente mais barato que a banca e, de bônus, 6 exemplares gratuitos de uma revista, blablabla. Qdo tive a oportunidade de falar (sim, porque a pessoinha não te deixa falar pra não se perder no script), disse: Já sou assinante. A pessoinha surpresa: Ah! Ok! Obriga... tu tu tu. Desligou na cara. Muito bom esse banco de dados de assinantes!
. E a nova do momento: uma instituição financeira e uma empresa de purificador de água me ofereceram uma visita a minha residência com hora marcada. A abordagem foi mais ou menos do tipo O consultor tem agenda disponível de tal a tal hora e pode estar indo sem compromisso. Tudo bem, é em prol da comodidade do consumidor que pode permanecer no seu lar doce lar. Mas aceitar a visita de um Maomé desconhecido na montanha, em épocas que não se abre a porta nem pro zelador do prédio e, ainda por cima, sem o menor compromisso?
Aloa!

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